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12 de Outubro de 2019

AUDIÊNCIA PÚBLICA DISCUTE TRAVESSIA A SECO ENTRE RIO GRANDE E SÃO JOSÉ DO NORTE

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Desde a década de 1970, a batalha pela construção de uma travessia a seco entre Rio Grande e São José do Norte vem sendo travada. Defendido por diversos municípios, o projeto é visto como uma possibilidade concreta de desenvolvimento dos potenciais econômicos e turísticos da região.

Em 2014, um estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental (Evtea) foi licitado pelo governo federal. Sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT), a empresa Ecoplan Engenharia foi contratada para analisar a melhor alternativa de travessia a seco no Canal Miguel da Cunha. Entretanto, em 2016, o estudo parou por falta de verbas.

O vereador Jair Rizzo (PSB), que luta há vinte anos por essa causa, propôs a audiência pública na Câmara Municipal de Rio Grande para tratar sobre a ligação a seco e para pressionar politicamente as autoridades competentes pela retomada do evtea.  O debate, presidido pelo vereador Edson Lopes (PT), ocorreu na noite da última sexta-feira no plenário da casa legislativa.

Em seu discurso, o proponente disse que essa já é a décima audiência pública que realiza sobre o mesmo tema. O parlamentar explicou que sua caminhada pela construção da travessia iniciou em 1999, mas essa bandeira já vem sendo levantada pela Câmara do Comércio desde 1972. Jair defende que a obra significará um ganho para atividade econômica, pela alternativa de escoamento da produção para o Porto de Rio Grande e pela possibilidade do turismo via BR 101.

Otimista, falou sobre o projeto de construção dos molhes da barra, que iniciou em 1843 e só foi ser concretizado em 1909, mais de 50 anos depois. Para ele, obras dessa natureza se constroem com luta.

Sobre o evtea, o vereador explicou que os técnicos do DNIT elaboraram um termo de referência de 159 páginas que determinou como deveria ser feito o estudo e serviu como norteador da licitação. Em seguida, houve a contratação da empresa Ecoplan Engenharia para prestar o serviço.

No entanto, o estudo foi paralisado em 2016 na fase de pré-campo, ainda faltando a finalização das fases de campo e pós-campo. Depois de várias promessas de reinício, Jair salientou que a expectativa é que a assinatura de prorrogação do contrato seja feita ainda nesse mês. Para que haja a efetivação da travessia, de acordo com ele, é preciso que o governo federal garanta a conclusão do estudo e a elaboração de um projeto de engenharia.

O prefeito Alexandre Lindenmeyer ressaltou que essa luta não é apenas de Rio Grande ou de São José do Norte, mas de todo o litoral. Ele também aproveitou para elogiar as melhorias feitas pela prefeita de São José do Norte nas condições da atual travessia. A medida irá refletir em um aumento do uso do serviço, mostrando que há uma demanda reprimida, seja para negócios ou para o turismo.

Alexandre enfatizou a necessidade de união dos municípios para a busca de uma política de desenvolvimento regional. Elencou os avanços já alcançados, como a duplicação da BR-392 e da BR-116, que antes eram encarados como distantes e se tornaram realidade.

Para o prefeito, o passo mais importante é a conclusão do estudo de viabilidade, pois irá demonstrar qual a melhor alternativa para a ligação a seco. Conforme ele, a conquista buscada passa pela mobilização de todos os atores da região, que precisa de investimento em infraestrutura para otimizar suas potencialidades.

A prefeita de São José do Norte, Fabiane Zogbi Roig, comentou sobre os avanços conquistados na atual travessia dos veículos entre os municípios. Desde 2017, há uma tentativa de ampliação dos horários da balsa. Agora, uma nova empresa passou a prestar o serviço, oferecendo mais alternativas para os passageiros.

A prefeita disse que os problemas com as filas de espera foram amenizados. Porém, defende que o progresso da região a longo prazo depende da ligação a seco. Em relação à economia de São José do Norte, Fabiane afirmou que hoje há uma costa lacustre vazia esperando por investimentos que não acontecem devido à logística deficitária. Ela acredita que muitas empresas já teriam se instalado na cidade caso houvesse uma passagem a seco.

O vice-reitor da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Danilo Giroldo, defendeu que não existe possibilidade de avanço na intenção de construir a ligação sem que o evtea seja concluído. Conforme ele, é preciso fazer com que o projeto seja sustentável do ponto de vista econômico. Reforçou, no entanto, que paralelo à essa luta, há a necessidade de se avançar ainda mais na qualificação do serviço atual de travessia.

O presidente da Câmara de vereadores de São José do Norte, Luis Polis da Silva, falou sobre a moção de apoio à ligação a seco feita pela Associação dos Municípios do Litoral Norte. O projeto permitirá a integração dos litorais norte e sul, por meio da BR-101, oferecendo acesso direto ao Porto de Rio Grande. Segundo ele, esse é o único caminho para o desenvolvimento e crescimento da região litorânea, permitindo o escoamento de produtos e facilitando o acesso turístico à costa até mesmo dos que chegam pelo Mercosul.

O presidente da Câmara de Capivari do Sul, Roberto Camargo, ressaltou que o litoral não é completo sem a travessia. Ele disse que veio à audiência trazer o apoio incondicional do município a essa obra. Conforme ele, a luta não é apenas das lideranças políticas, mas de toda comunidade, pois é uma luta por emprego e renda.  Já a delegada da subseção da OAB de Mostardas e Tavares, Ana Terra, disse que é preciso arregaçar as mangas e mostrar ao restante das autoridades o potencial da região e a necessidade da obra.

O presidente da Câmara do Comércio de Rio Grande e vice-presidente de infraestrutura da Federasul, Antônio Carlos Bacchieri, afirmou ser um otimista, por ter participado de diversos movimentos que conseguiram ver sonhos se concretizar, como o da duplicação da BR-392. Ele disse que da mesma forma que trabalhou por essa conquista irá trabalhar pela travessia.

Bacchieri defendeu que a obra faria uma ligação que beneficiaria não só as cidades vizinhas, mas a economia e o turismo do estado do Rio Grande Sul. Lembrou que a BR-101 percorre o Brasil desde Rio Grande do Norte até São José do Norte e que seria uma artéria para o Porto de Rio Grande. Para ele, por meio do trabalho de união dos municípios da região, o Brasil pode vir a entender a importância de a BR-101 ligar Rio Grande e chegar até o cone sul.

Também participaram da audiência e fizeram seus pronunciamentos os vereadores de Rio Grande Luciano Gonçalves (PT), João da Barra (Republicanos) e Charles Saraiva (MDB); o representante do deputado federal Bibo Nunes (PSL), Leonel Silveira; o representante da deputada federal Liziane Bayer (PSB), Luis Gregório; o vice-presidente da Câmara de Tavares, Luiz Omar de Souza; o secretário de turismo, esporte e lazer de São José do Norte, Lincoln Pontes; o diretor executivo da secretaria geral de governo de São José do Norte, João Paladino Machado; o vereador de São José do Norte, Neromar Guimarães; o vereador de Tavares, Ênio Chaves e o secretário de coordenação e planejamento de São José do Norte, Danúbio Roig.

Além das lideranças regionais, o público também pode se manifestar. O professor de engenharia civil da Furg, Glauber Gonçalves, trouxe dados técnicos para o debate. Ele percorreu a costa de São Luis do Maranhão até Rio Grande para analisar as travessias.

Pelo percurso, há seis travessias, todas feitas por balsa. O docente ressalta que todas as outras são prioridade para ligação a seco em relação à Rio Grande. Isso porque o fluxo atual de veículos entre Rio Grande- São José do Norte é ainda pequeno, com uma média de 130 mil por ano. Segundo ele, para que a ligação se torne prioritária, é necessário multiplicar a demanda atual por quatro.

Ademais, Glauber afirmou que o serviço de balsa daqui foi considerado o pior. Além de não ter banheiros e nem sinalização, o tempo de espera e o custo são muito elevados. Hoje, para fazer o trajeto de ida e volta se gasta R$ 72,00.

Levando em consideração esses dados, o professor afirmou que a luta política principal deve ser a de melhorar a qualidade do serviço atual. Uma das possibilidades de aumentar a demanda é aumentar a eficiência e diminuir os custos. O professor sugeriu que se ofereça tarifas menores aos finas de semana com o objetivo de incentivar o crescimento do turismo local entre as duas cidades.

Ao fim da audiência pública, as lideranças políticas afirmaram compromisso de fazer o próximo encontro em defesa da travessia a seco em Capivari do Sul. A intenção é se somar aos municípios do litoral norte para demonstrar força a favor da luta.

Assessoria de Imprensa





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