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25 de Maio de 2019

CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA É TEMA DE AUDIÊNCIA PÚBLICA

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Discutir a implantação de uma unidade do Centro de Valorização da Vida (CVV) em Rio Grande foi o objetivo da audiência pública que ocorreu na Câmara de vereadores na noite da última-sexta-feira.

Rovam Castro (PT), proponente da audiência, explicou que a demanda pelo debate veio de duas voluntárias. Um grupo está mobilizado desde o ano passado para construir um posto do CVV na cidade com o intuito de trabalhar na prevenção e no enfrentamento ao suicídio. O debate público serve para esclarecer o que é o serviço para comunidade riograndina, além de divulgar o que já vem sendo feito na cidade.

O vereador comentou sobre o modo de vida em sociedade, em que estamos cada vez mais deixando de lado as relações interpessoais. Ele ressaltou a importância da escuta, tão escassa em um mundo em que as pessoas estão sempre correndo atrás de algum tipo de sucesso. O centro de valorização da vida, por meio do telefone 188, oferece escuta, não apenas para os que estão pensando em cometer suicídio, mas para todos os que precisam de uma conversa por se sentirem sozinhos e esquecidos. Rovam agradeceu aos que se dedicam a salvar vidas e amenizar o sofrimento do outro. “Uma conversa pode salvar alguém do adoecimento”.

A secretária de cidadania e assistência social afirmou que a demanda para o atendimento das vulnerabilidades na cidade é muito grande, por isso é importante que existam cada vez mais projetos que visem dar respostas a esses problemas. Segundo Maria Cristina Juliano, o serviço do CVV deve se articular com a rede pública para que além da escuta, a pessoa possa receber o atendimento e o acolhimento necessários. “A secretaria é parceira para sensibilização, para levar a proposta ao conhecimento da população e para ser um braço e fazer um trabalho compartilhado com o CVV”.

Representando a secretaria de saúde, a psicóloga Claudia Degani resgatou o histórico de luta para implantação da unidade em Rio Grande. De acordo com ela, profissionais da saúde mental identificaram a necessidade de se intensificar o trabalho de prevenção ao suicídio após um caso ter mobilizado a cidade em 2017.  Houve, então, os primeiros contatos com o CVV e o início da organização. Entre as exigências para gerenciar o serviço na cidade estão a constituição de uma ONG, um espaço físico e a capacitação do voluntariado. Atualmente, já existe um comitê local e a prefeitura está estudando a possibilidade de cedência de uma sala, próxima aos serviços de urgência.

Ela ressaltou que a rede de atendimento na área da saúde mental funciona até as seis da tarde. Ao funcionar no turno da noite, o CVV se torna um canal importante de atendimento no horário que costuma ser o de maior angústia e sofrimento. Conforme Claudia, o município necessita de mais ações nessa área. Em 2014, 8 adolescentes foram atendidos na rede de saúde mental por tentativa de suicídio. Em 2018, esse número passou para 78.

Emocionada, a integrante do comitê de formação do centro e futura presidente da unidade em Rio Grande, Aline Stafort, confessou que foi a dor que a motivou a trabalhar em prol dessa causa. Após sofrer um caso de suicídio na família, foi compelida a sair da zona de conforto. Ela se disse honrada por estar representando esse trabalho na cidade.

Na oportunidade, o coordenador nacional de expansão do CVV, João Régis da Silva, ministrou uma palestra apresentando o trabalho do centro, sua metodologia e, também, dados sobre depressão e suicídio

Sem vínculos políticos ou religiosos, o CVV é uma rede criada para evitar casos de suicídio. Foi fundada em 1962 na cidade de São Paulo e, em 1973, passou a ser reconhecida como uma instituição de utilidade pública municipal, estadual e federal. Como entidade reconhecida pelo Ministério da Saúde, participa de todas as discussões sobre políticas públicas relacionadas ao suicídio no país.

Segundo o coordenador, a instituição não tem fins lucrativos e depende do voluntariado. Atualmente, há 109 cidades que possuem unidades do centro, funcionando com um total de 3100 voluntários. O serviço é organizado por regionais. Em cada município, há uma ONG responsável pela manutenção, pela captação de recursos e pela divulgação. Atualmente, apesar de ainda não estar presente em quatro unidades da federação, todos os estados podem ser atendidos por meio do 188.

João explicou que além da ligação telefônica, há o atendimento por e-mail e por chat no site da instituição. São recebidos, aproximadamente, 1500 e-mails por dia, respondidos em até 24 horas. A cada ano, o serviço recebe por volta de 2 milhões e 500 mil ligações. Também existem outros grupos de apoio, como o de assistência aos sobreviventes, feitos fora dos postos.

Para fazer parte do projeto, o voluntário precisa ter mais de 18 anos, passar por uma capacitação de 32 horas e por um curso de seleção, fazer um plantão semanal de quatro horas e meia, contribuir com uma mensalidade e participar de reuniões mensais. Segundo o coordenador, o serviço não é profissional e não deve ser confundido com terapia, mas entendido como um atendimento compreensivo e amoroso, que oferece condições para o não adoecimento psicológico. Os telefones são criptografados e todas as conversas devem ser mantidas em sigilo e anonimato total.

Conforme João, a cada 40 segundos uma pessoa se suicida no mundo. O Brasil é o 8º país com maior incidência dessas ocorrências.  O coordenador enfatizou que hoje jovens a partir dos sete anos já estão provocando suicídio e que a depressão infanto-juvenil é um dos fatores de risco. Para ele, é preciso que a sociedade rompa o silêncio e os tabus em torno do tema, já que 90% dos casos podem ser evitados.

No plenário, o Sargento Assis, do Corpo de Bombeiros de Rio Grande, destacou que há um mapeamento dos sítios de maior ocorrência de suicídio no município e sugeriu a colocação de placas com divulgação do telefone 188 nesses locais.  O riograndino Sérgio Fagundes também lembrou da necessidade de levar as informações do serviço às mulheres que trabalham em casas noturnas.  As integrantes do comitê local destacaram a importância do debate público para construção do projeto, dizendo que estão abertas às sugestões da comunidade.

Em Rio Grande, a diretoria da associação que dará andamento ao projeto já está constituída. A preparação dos voluntários está prevista para o mês de julho e será realizada pela regional de Caxias do Sul. Os custos mensais para manutenção do trabalho deverão ser de R$ 800 reais. A expectativa é que a abertura da unidade seja efetivada em setembro desse ano.

A audiência pública foi presidida pelo vereador Edson Lopes (PT). A mesa diretora foi composta pelo prefeito Alexandre Lindenmeyer; pela representante da secretaria de saúde, Claudia Degani; pelo coordenador nacional de expansão do CVV, João Régis da Silva e pelas representantes do comitê local de formação do CVV, Aline Stafort e Adriane Oliveira. Também estiveram presentes a representante do Hospital Universitário, assistente social Iraneide de Andrade e os vereadores Júlio César Pereira (MDB) e Benito Metalúrgico (PT).

Assessoria de Imprensa





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